Olhando pela janela, olhando as pessoas passando lá em baixo. Elas corriam e eu não entendia, estavam apressadas e falavam com todos ao mesmo tempo. Apressadas com maletas e bolsas. Deus chorou, e todos se protegeram com guarda-chuvas. Era errado aquilo, elas não deviam se proteger do que merecem receber. Aqui está quente e chovem papéis coloridos. Porque elas foram embora? Eram minha companhia... Andei pelo quarto e estava repleto de fotos, de todas as pessoas, dos quatro cantos do mundo. Elas também eram minhas amigas, elas sorriam para mim e me ouviam. Sentei-me no meu sofá abarrotado de livros, eram romances e romances. Olhei para a parede, estava tão limpa, tão branca, sem cor ou ilustração. Minha caneta, ali do lado , me chamou. " decifra-me ou devoro-te ". A frase. Era tão bela ali, estampada, como a vida. Sorri para ela, como todos os meus amigos lá dentro, eles também sorriam. Aconcheguei-me no colchão, ao lado dos travesseiros e dormi. Sonhei que eu saia e andava pelas ruas, sorria para todos e todos sorriam para mim. Acordei assustada e quando lembrei-me do meu sonho, sorri. Mesmo não podendo se tornar real, dentro do meu quarto, ele era a minha história, a minha vida, do meu jeito.
Juliana ;
Com 16 anos, pensa demais, deduz demais, imagina demais. Toda a vida dedicada a exposição, falando sobre tudo e sobre como se sente, disposta a acreditar em um mundo melhor. Virginiana com fé, perfeccionista, mas relaxa em algumas horas; age com o pensamento, mas algumas vezes o coração fala mais alto e a transforma;
-Se não formos capazes de compreender nossos próprios sentimentos, quem poderá deduzi-los?
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