Suas mãos tremiam, o coração apertava a cada passo. Todos os rostos conhecidos estavam tão longe dela, era impossível respirar. A cada passo, um pedaço dela caía pelo caminho, sem destino final. Com os olhos lacrimejados e os lábios sangrando, ela subia o caminho para a prisão, era como um inocente rendendo-se para acabar com tudo, uma vítima indo de encontro com a forca. Ela só queria acabar com aquela dor dentro do peito, com aquela sensação de solidão. A cada pensamento uma lágrima rolava por sua face, a cada lágrima um soluço. O que ela faria agora? Agora que havia sido deixada só, sem ninguém para conversar, sem um ombro a lhe apoiar, um abraço a lhe aconchegar. Ouvia apenas a própria respiração e os próprio batimentos, cada vez mais acelerados. Como uma música, os sons se sincronizavam. Ela conhecia a música. A marcha fúnebre.

   Não importa o quanto tentemos corrigir, perdoar, amar, brincar, viver, pois tudo tem o seu tempo e nada acontecerá ao nosso gosto. É assim que crescemos, aprendemos a caminhar e nos tornamos cada dia mais forte. As mudanças vem com escolhas e pensamentos que não tínhamos antes, mas agora somos maduros e capazes de perceber tudo que sempre esteve na nossa frente.
   Um perdão, um abraço, um sorriso, um beijo... tudo é um processo que deve acontecer para ser significativo no final, uma vez que não adianta dizer algo e pensar o contrário, mentir para si mesmo e viver de mentiras. É dessa maneira que construímos nossos castelos e formamos nossas correntes, cada vez mais seguros do que fazemos, com mais certeza de onde pisamos e para onde vamos.
    Não importa o quando corrermos, a vida só mostrará a luz quando formos capazes de suportar sua intensidade ao encará-la frente a frente.

   Meu amado aperta minha mão e posso sentir, esta é a última vez! Com sua ofegante respiração, vem até mim os momentos passados nos quais, desses lábios, nunca ouvi a palavra amor.
   No mesmo sofrimento que agora nos consome, conheci Simão com o ombro rasgado por um tiro. Do mesmo modo que meu amado agora perde os sentidos, perdi eu naquele momento. Depois de recuperar-me, a pedido de meu pai, cuidei de sua ferida devido à tamanha gratidão por anos antes ter seu pai livrado o meu da forca.
   Aos meus cuidados, ele era receptivo, porém, em certos momentos, preferia ficar só para escrever à Teresa, a quem certamente amava. Nunca reneguei ajudar a correspondência entre os dois. Mesmo quando Simão estava impossibilitado, aos meus cuidados, fui ao convento de Viseu entregar a carta nas mãos da moça que tinha todo o seu coração. Como resposta, recebi de Teresa o recado que iniciaria toda a desgraça de nossas vidas. Fiquei aflita e não estava errada. O amanhecer trouxe a notícia do assassinato cometido por Simão. Ele, por sua honra, entregou-se às autoridades e, mesmo com as oportunidades, não quis livrar-se de sua culpa.
   Acompanhei-o até a prisão, onde dediquei-me a servi-lo como sua esposa. Fui também sua família, e aos olhos dele, sua irmã.
   A notícia de sua possível condenação a forca fez-me sair de mim e perder o juízo. A ideia de não tê-lo mais presente em meus dias, mesmo sombrios por não ter seu coração, era a causa de meu desespero.
   Por intermédio de uma carta, fiquei sabendo que meu pai fora assassinado e junto a Simão me desfiz em prantos.
   Pouco tempo depois, chegou-me a notícia de que meu amado foi condenado a dez anos de degredo na Ásia. A única ideia que passou por minha mente foi ser mais forte que Teresa e suportar o degredo, até mesmo a morte, junto com Simão, Necessitava daquilo.
   Podia imaginar nossa vida na Índia. Ele era minha única família, minha única razão e é, mesmo agora, meu único amor.
   A vontade de Teresa era que Simão aguardasse o cumprimento da pena na cadeia para que pudessem se reencontrar. Ele preferiu o degredo e então embarcamos rumo à Ásia. Escutei as âncoras levantarem e o partir do navio de nossa pátria. Ao anoitecer, longe avistamos Teresa acenando. Sem dúvida, pela última vez. Sua aparência era tão branca quanto o lenço que segurava, e o seu olhar denunciava a morte próxima. Mesmo assim, a morte não colocaria fim no amor dos dois.
   Esta mesma morte aproxima-se de meu amado que agora arde em febre. Ele pronuncia, pela última vez, as palavras da carta de despedida de Teresa e mencionava meu nome no lugar do dela.
   Neste mesmo momento, a vela que ilumina a face de meu amado se apaga. A morte o fez soltar agora a minha mão. Que ela leve também consigo um beijo a Simão. Levam seu corpo envolto em um lençol. Preparam para jogá-lo ao mar.
   O amor causou a morte de Simão. Este nobre sentimento que consome em alegria traz consigo a tristeza, e, do mesmo modo, gera a vida, mas faz-se inevitável: a minha morte!


Mudança de foco narrativo-Amor de perdição.

Tenho costume de escrever quando estou triste, quando sinto meus sentimentos puros e reais. Minha mania é desenhar no fim do caderno histórias que gostaria de dizer que são verdadeiras. Sorrio quando não deveria e acho que fico triste quando não entendo alguma graça; um pouco ao contrário. Meu quarto é mais intelectual do que formal, as pessoas nunca o entendem e sinto ele separado de toda a casa. Meus livros falam mais sobre mim do que minhas redes sociais. Choro quando algo dá errado, e se não chorar a raiva sobe e tento não ver ninguém. Prefiro músicas deprimentes à felizes quando fico no estágio " depressão". Nem sempre visto o que gosto, mas realmente gostaria de sair com aquilo que admiro pela rua e poder mostrar pra todo mundo. Quase não tenho amigos, mas os que tenho poderia levar para sempre comigo. Sinto preguiça de ir dormir e mais preguiça ainda de levantar. Tenho sérios problemas, mas relevo eles para algumas simples expressões. Gostaria que alguém estivesse aqui agora e que alguém pudesse me fazer companhia. Tenho defeitos e quase ninguém os percebe. Acho eles importantes, pois são eles que me diferenciam do resto do mundo. Me sinto única e assim, de fato, me sinto a única pessoa que me entenderia. Gosto de mim as vezes, já que é a pessoa com quem mais converso. Me sinto assim e permaneço assim. As coisas nunca mudam, o que mudam são as pessoas. Eu me mudei um pouco hoje e ainda me descobrirei amanhã. Sinto saudade das minhas antigas personalidades. Mas vou crescendo e isso é bom... Me sinto um pouco mais eu hoje.



" -Há cinco minutos, Hareton parecia uma encarnação da minha mocidade, e não um ser humano: os meus sentimentos em relação a ele foram, naquele momento, tão variados, que me seria impossível falar racionalmente. Em primeiro lugar, a impressionante semelhança com Catherine faz com que ele se relacione terrivelmente com ela. [...] o que, para mim, não se relaciona com ela? Não posso olhar para este chão sem que veja suas feições recortadas nas lajes! Em todas as  nuvens, em todas as árvores,[...]os meus próprios traços traem-me com uma semelhança. O mundo inteiro é um terrível álbum de recordações a provar que ela existiu e eu a perdi! "


- O morro dos ventos uivantes.

sua presença aqui e agora e nada me fará parar de senti-la. Todos os sorrisos e brincadeiras, momento únicos. Não acredito que se foram. Você se foi. Por favor, volte para mim como antes, sem mudanças. Apenas tivemos um corte de tempo, mas diga que você ainda é o mesmo, a mesma pessoa que me fez sorrir...
  Meses se passaram sem nenhum aviso sobre seu paradeiro e me encontrei em agonia algumas vezes, pensando em tudo que fora importante para mim. Não consigo mais sentir seu toque, está tão distante.
  Por favor, volte e me faça feliz novamente, eu sinto sua falta e posso não aguentar, não mais. Todos vêem o que sinto e não consigo mais esconder. É como um buraco negro que me enterro e quando mais tento me salvar, mais sangro por dentro e por fora. Essas raízes de pensamento me machucam e não posso suportar. Sinto sua falta.



" -Pense na vida de uma borboleta, Alice. Uma existência inteira, tão brilhante, mas que dura apenas um dia humano. Uma vida inteira. O tempo tem muitos significados. "


- Labirinto.

  Ela abriu os olhos, tomou seus remédios e foi para o hospital, onde ia diariamente. Passou pelas ruas de seu bairro e reparou como estavam calmas.
  Ao chegar no hospital, deparou-se com as portas fechadas e um jornal desse mesmo dia jogado no chão. Sua principal notícia foi lida com espanto. A mulher correu. Ela não sabia o que fazer, o câncer não a impedia de viver, mas com a descoberta do vírus transmissível através de seus remédios, esperaria sua morte tristemente, pois como estava escrito naquela reportagem, era incurável.
  Ao chegar em casa, deparou-se com sua filha assistindo sua última festa de aniversário, quando seu marido ainda vivia. Foi para a cozinha e fez o almoço, como era o cotidiano. Ligou para sua irmã, mas ninguém a atendeu. Queria pensar em suas chances de sobreviver, mas sabia que seu mal-estar sentido a meses, seria reflexo do vírus.
  Sua dor de cabeça havia aumentado, ela começara a chorar e sua filha veio ao seu encontro. As duas foram deitar-se e antes de sentir o sangue escorrer por seu nariz, ouviu de sua filha o "eu te amo, mamãe" jamais dito tão puramente.
  Ela abraçou-a e sorriu. A dor a dominaria em poucos minutos, sabia disso. Fechou seus olhos e sentiu, pela ultima vez, o pequeno coração de sua filha bater contra o dela.



Ficou grande, mas eu falei tudo :DD

 todos os meus medos e toda a minha angústia. Não queria que nada desmoronasse, só queria te ter agora. Pare de perguntar e faça me fazer sentir bem, não adianta mais olhar nos meus olhos quando a dor é no coração... Como posso ter certeza que tudo é real? Você é real? Me diga o que pode fazer para mudar minha consciência e meus pensamentos, me faça mudar. Já disse, tenho medo. Por favor, venha e me segure enquanto o crepúsculo acaba e a noite fica estrelada, pois é quando eu mais tenho medo. Me busque no fundo do seu peito e devolva-me, só para poder respirar.
Eu preciso de você, não como está agora, mas como antigamente... Me abrace forte e diga o que sente, me faça sentir os minutos passarem lentamente e faça com que nada acabe. Por favor, pare de perguntar e me entenda, entenda tudo que se passa por mim, já que nem eu sei ao certo o q...

- Ei, me responda. O que aconteceu com você?
-Nada.