Ela abriu os olhos, tomou seus remédios e foi para o hospital, onde ia diariamente. Passou pelas ruas de seu bairro e reparou como estavam calmas.
Ao chegar no hospital, deparou-se com as portas fechadas e um jornal desse mesmo dia jogado no chão. Sua principal notícia foi lida com espanto. A mulher correu. Ela não sabia o que fazer, o câncer não a impedia de viver, mas com a descoberta do vírus transmissível através de seus remédios, esperaria sua morte tristemente, pois como estava escrito naquela reportagem, era incurável.
Ao chegar em casa, deparou-se com sua filha assistindo sua última festa de aniversário, quando seu marido ainda vivia. Foi para a cozinha e fez o almoço, como era o cotidiano. Ligou para sua irmã, mas ninguém a atendeu. Queria pensar em suas chances de sobreviver, mas sabia que seu mal-estar sentido a meses, seria reflexo do vírus.
Sua dor de cabeça havia aumentado, ela começara a chorar e sua filha veio ao seu encontro. As duas foram deitar-se e antes de sentir o sangue escorrer por seu nariz, ouviu de sua filha o "eu te amo, mamãe" jamais dito tão puramente.
Ela abraçou-a e sorriu. A dor a dominaria em poucos minutos, sabia disso. Fechou seus olhos e sentiu, pela ultima vez, o pequeno coração de sua filha bater contra o dela.
Juliana ;
Com 16 anos, pensa demais, deduz demais, imagina demais. Toda a vida dedicada a exposição, falando sobre tudo e sobre como se sente, disposta a acreditar em um mundo melhor. Virginiana com fé, perfeccionista, mas relaxa em algumas horas; age com o pensamento, mas algumas vezes o coração fala mais alto e a transforma;
-Se não formos capazes de compreender nossos próprios sentimentos, quem poderá deduzi-los?
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3 comentários:
É bom ter você de volta, esses tipos de textos marcaram seu perfil...;)
aaah valeu, eu acho :3
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