Ela abriu os olhos, tomou seus remédios e foi para o hospital, onde ia diariamente. Passou pelas ruas de seu bairro e reparou como estavam calmas.
  Ao chegar no hospital, deparou-se com as portas fechadas e um jornal desse mesmo dia jogado no chão. Sua principal notícia foi lida com espanto. A mulher correu. Ela não sabia o que fazer, o câncer não a impedia de viver, mas com a descoberta do vírus transmissível através de seus remédios, esperaria sua morte tristemente, pois como estava escrito naquela reportagem, era incurável.
  Ao chegar em casa, deparou-se com sua filha assistindo sua última festa de aniversário, quando seu marido ainda vivia. Foi para a cozinha e fez o almoço, como era o cotidiano. Ligou para sua irmã, mas ninguém a atendeu. Queria pensar em suas chances de sobreviver, mas sabia que seu mal-estar sentido a meses, seria reflexo do vírus.
  Sua dor de cabeça havia aumentado, ela começara a chorar e sua filha veio ao seu encontro. As duas foram deitar-se e antes de sentir o sangue escorrer por seu nariz, ouviu de sua filha o "eu te amo, mamãe" jamais dito tão puramente.
  Ela abraçou-a e sorriu. A dor a dominaria em poucos minutos, sabia disso. Fechou seus olhos e sentiu, pela ultima vez, o pequeno coração de sua filha bater contra o dela.

3 comentários:

É bom ter você de volta, esses tipos de textos marcaram seu perfil...;)

Este comentário foi removido pelo autor.

aaah valeu, eu acho :3

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